Entre moderninhos, esquerdistas, anarquistas, direitinhos, donas do lar, colegiais, empresários, artistas, e outras qualificações ideológicas e estereotipadas, o assunto agora é a estabilidade. Estabilidade financeira, amorosa, sexual, afetiva, eleitoral, religiosa, política, profissional, econômica, e os seus sinônimos e derivados, esvai-se em um tonel de divisões e idiossincrasias, mas enfim... para sermos mais exatos, está na boca do povo na voz divina, na moda! Ulala!
E dá para se divertir um bocado pensando na diversidade de conceitos que permeia a voz de deus para ser estável!!
Além das politicagens eleitorais que entram em vigor a partir de agosto com mais intensidade, as distintas senhoras dos Jardins já começam a elocubrar manifestações em prol da estabilidade.Você vai votar em quem? Penso. Votarei na oposição. Ah! Mas a gente tem que amar o nosso país. Incrédula e reflexiva ainda. Eu também amo meu país, mas estabilidade para quem, a estabilidade que em cada esquina me pede dinheiro, que apresenta números altíssimos de desemprego, que não oferece o básico para se viver com dignidade (vide salário mínimo, é quanto, 150 por mês?)? Estabilidade para a senhora que tem casa, carro é uma coisa. Que estabilidade a senhora propõe? Olha, meu patrimônio se resume a meus livros, meus discos e minha bicicleta. Não tenho medo.
Silêncio. A provocação do caos apavora os acomodados.
Os enamorados, ou pseudo-namorados, que avaliem. E os casamentos de fachada? Quantas donas de casa e distintos senhores não se estagnam em frente à TV todo domingo, vendo o Faustão e pensando que vida besta é essa que tenho. É evidente que há afinidades e gosto para determinadas ações, mesmo ver o Gugu (para não repetir o exemplo!!!) tem a sua porção boa quando é visto com paixão, ops, paixão pelo outro, pela vida, pelo passarinho cantando na sua janela em um domingo ensolarado e você, que dormiu como um verdadeiro Zeus/ Afrodite, acorda sorrindo e dá aquele abraço gostoso na sua véinha. E muitas vezes os exemplos da manutenção, como no gracioso “ruim com ele, pior sem ele”, consagram-se e tornam-se o dogma por toda a vida. TFP (traduzindo: Tradição/ Família/ Propriedade) é uó!
A Paixão é a engrenagem da vida.
A desordem reavalia os verdadeiros paradigmas da sociedade. Bin Laden atravessou com seu arco metálico o arco-íris do capital e viveu dias de glória e linchamento virtuais. A casa caiu e estupefatos todos assistiam a CNN, Rede Globo, Internet e cia. Ltda. Queríamos entender toda a história, queríamos saber quem era o herói e quem era o malvado. E você vê... o discurso montado é rápido, ligeiro. Nós sempre fomos bonzinhos, olha só, você matou mais de x mil pessoas, nós vamos acabar com o terror. Qüe,qüe!!!
Veja bem, meu caro Watson, você tem certeza que a história é essa mesma? A gente nem sabe quanto é realmente a inflação..??? O Ricupero que o diga naquela versão “ a gente maqueia!” em plena TV!!! E ninguém fez nada. A estagnação taí gente, a CPMF taí, e nós não abrimos a boca e só gritamos quando conquistamos a Taça.
Fiquemos atentos: o discurso será sempre o mesmo e cada vez com mais sofisticação. Variam na intensidade, na sintaxe morfológica das criações nefastas de marqueteiros de plantão, dos desconfiados que acreditam no até que a morte nos separe, nas criaturas oriundas, teúdas e manteúdas do status quo apresentado no momento, enfim, pra ser bem genérico e abrangente, abram os olhos e tentemos ser mais honestos consigo mesmos.
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