segunda-feira, 7 de março de 2011

Ítaca

Se partires um dia rumo à Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo,
Repleto de aventuras, repleto de saber.

Nem Lestrigões nem os Ciclopes
Nem o colérico Posídon te intimidem;
Eles no teu caminho jamais encontrarás
Se altivo for teu pensamento, se sutil
Emoção teu corpo e teu espírito tocar.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
Nem o bravio Posídon hás de ver,
Se tu mesmo não os levares dentro da alma,
Se tua alma não os puser diante de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais, com que prazer, com que alegria,
Tu hás de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos fenícios
E belas mercadorias adquirir:
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos,
E perfumes sensuais de toda espécie,
Quanto houver de aromas deleitosos
A muitas cidades do Egito peregrina
Para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo Itaca na mente.
Estas predestinado a ali chegar.
Mas não apresses a viagem nunca.

Melhor muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim,
Rico de quanto ganhaste no caminho,
Sem esperar riquezas que Itaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Itaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.

Itaca não te iludiu, se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência,
E agora sabes o que significam Itacas.

Konstantinos Kaváfis – (1863 – 1933/ Alexandria)

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