terça-feira, 21 de maio de 2013

Sob o céu da rambla

"Ela estava cansada das mesmas dores, dos mesmos diálogos, das mesmas roupas amassadas e mal dobradas. Cansada estava de ver o passar dos dias, de ter os mesmos pensamentos obsessivos, de matar os dragões internos, de ver a praia ali tão perto e, ao mesmo tempo, tão distante da vontade de estar dentro d´água. Cansada estava de se olhar no espelho, de ver o corpo que não paria, de ver as mãos que não criava. Até mesmo o ar que respirava lhe cansava. Os hábitos precisavam ser alterados. Sentia que as etapas estavam sendo vencidas, mas não sentia o crédito nem na conta bancária, tampouco no coração. Foram anos de investimentos e pérolas aos porcos. Mas um dia, numa bela tarde de sol, aconteceu algo raro: um gato apareceu. E sobre o gato havia uma borboleta. Os animais se aproximaram dela, ali, em frente à passarela da areia que ela tanto relutava em passear... A cidade em que vivia era dessas típicas cidades turísticas, cheias de som, glória e fúria. O gato e a borboleta se aproximaram da moça, porque ela era moça donzela no sentido mais profundo da palavra, e sussurraram "acabou o feitiço e você será feliz!". Ela piscou porque de onde vinha nem gato, nem borboleta falavam... E o gato ainda lhe piscou o olho, a borboleta zanzou no ar e quando a moça piscou de novo, nenhum dos dois estavam mais ali. A paz invadira o seu coração".

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