terça-feira, 5 de abril de 2011

O vento é azul.

                                                        Para Luciana.

O vento entrou por mim. Passava por todo meu corpo.
O vento era azul e percorria todos os contornos.
Eu sentia ele atravessar cada poro meu. 
Era uma membrana por onde o vento passava e me percorria. O vento me atravessava. Era azul. E a risada, verde.
Então, o vento entrou pela minha boca e subiu para o céu da boca  e foi sabe-se-lá prá onde.
O vento foi. Eu sentia um gelinho no céu da boca e pensava se minha boca estava aberta para isso. Eu sentia o vento entrar, percorrer um caminho e subir para a cabeça.
Era porosa.
Então, pensei, que delícia esse vento.
Como deve ser bom ser vento. Que lugar vento não entra? Que faz o  vento com o obstáculo? Ah! Como deve ser bom ser vento e percorrer o mundo todo e tocar a todos.
Queria ser vento.
Tudo que é sólido se desmancha no ar.

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